O Centro Acadêmico de Comunicação da UFRRJ (Caco)
promoveu, no último dia 3, uma excursão que levou os alunos do curso para
conhecerem a Casa Pública, o
primeiro centro cultural de jornalismo do Brasil. Além de fazerem um tour pelo
espaço, os 20 sorteados puderam conferir uma exposição de fotos, conversar
sobre jornalismo independente e ainda assistiram a um documentário.
Com o apoio das fundações Ford, Oak Foundation, Porticus e Open
Society Foundations, o centro é uma iniciativa da
Agência Pública, organização sem fins lucrativos de jornalismo investigativo. De
acordo com o site, o objetivo da instituição é estimular a produção de
conteúdos de interesse público que fujam da tradicional fórmula da indústria da
notícia. O espaço foi inaugurado em março e, segundo a gerente Mariana Simões,
tem recebido muitos visitantes.
A visita começou com um passeio pelas
instalações, guiado por Mariana. Localizado em Botafogo, o lugar tem três
andares e diversos mezaninos. A casa dispõe de uma sala para exposições, um local
para debates e exibições de documentários, espaços para entrevista e pesquisas,
laboratórios de produção e dormitórios para residência de jornalistas
estrangeiros.
A gerente também preparou uma
apresentação da Agência Pública, que explicou detalhadamente e esclareceu
dúvidas dos futuros jornalistas sobre as metodologias, os processos de apuração,
o sistema de reprodução dos conteúdos - todas as reportagens da Pública são
reproduzidas livremente por diversos veículos, sob a licença creative commons –
e o histórico da instituição, além de destacar projetos que tiveram grande
repercussão.
Os alunos também conferiram uma
exposição de fotojornalismo organizada pela fotógrafa Tina Leme Scott, gerente
de projetos da Pública. “Legados” mostra a verdadeira herança deixada pelos
grandes eventos sediados no Brasil. Com participação de fotojornalistas de diversos
estados, o trabalho mostra violações aos direitos humanos sofridos por uma
parcela da população em decorrência da Copa e das Olimpíadas, como violência
policial e desabrigo de famílias.
Para encerrar, os visitantes
assistiram à exibição do documentário “É Proibido Falar em Angola”. Produzido
por Natália Viana, diretora da Pública, e Eliza Capai, o vídeo mostra a censura
aos opositores do governo do presidente José Eduardo dos Santos. Apesar de
tentar ser reconhecido como uma democracia, o governo angolano persegue – e
prende – quem se organiza para manifestar contra a gestão de Santos, que já
dura quase 40 anos. Passando uma temporada no Rio para ajudar na gestão da Casa,
Natália se reuniu com os alunos e dividiu sua experiência. Além de ter seus
equipamentos roubados, o local em que estava hospedada vivia cercado de
policiais e ela era constantemente surpreendida por pedidos de fotos e
interrogatórios.
O interesse do centro acadêmico teve
início quando Marina Dias, coordenadora de comunicação da Agência, esteve na
Rural para apresentar o projeto da Casa Pública. O espaço não funciona às
terças-feiras, mas foi aberto especialmente para receber os alunos. “A escolha
se deu por ser a primeira casa de jornalismo do país e por acreditarmos que a
Pública faz um trabalho diferenciado do grande mercado, é uma outra perspectiva
e uma outra realidade no trabalho do jornalista. Conseguimos ônibus da
universidade, o contato com a Casa foi muito amigável e vimos que é possível
sair da Rural e conhecer outros espaços. Levar alunos, principalmente do 1º
período, para conhecer foi incrível para que eles entrem na universidade e
saibam que podem pensar formas criativas de produzir jornalismo”, destacou Mateus
Cabot, aluno do 7º período e integrante do Caco.
“Foi engrandecedor,
pois nos permitiu enxergar um jornalismo além daquele que conhecemos. O fato de
a Agência Pública ser sem fins lucrativos mostra um total engajamento em fazer
reportagens livres das amarras que o mercado midiático tem e expõe que as
mulheres são capazes, sim, de gerir grandes projetos”, afirmou Gabrielle
Araújo, do 1º período. O aluno do 5º período Lucas Flegler destaca a importância
da visita técnica, coisa que não ocorre com frequência no curso. “A Casa Pública
tem muitos projetos interessantes. Creio que todos os alunos que foram à visita
saíram com um fôlego a mais. Como um projeto de jornalismo investigativo,
inspira os estudantes a ter o contato com esse viés do curso. Acho que a
coordenação deveria implementar a disciplina na grade”.
A Casa Pública está aberta de quarta a
sábado, das 11h às 19h. O espaço está localizado na Rua Dona Mariana, número
81, em Botafogo.